Outra conhecida corretora especializada
em rodoviário de carga é a D'Canela, de Deoclécio Fernandes Menezes
- especialista em seguro de transportes que por vários anos lecionou
na Funenseg. A empresa atende principalmente pequenos transportadores
e tem cerca de 600 corretores cadastrados, que a procuram para
atender seus segurados.
"Quando o cliente chega aqui, em geral já teve tanto sinistro que a
seguradora não quer renovar a apólice. Então , nós analisamos as cargas,
condições de segurança do depósito e o percurso a ser feito para estabelecer
as taxas e condições do seguro, propondo estratégias para diminuir os
riscos", comenta Cássia Faria, gerente técnica de Transporte. O risco
DC é mais complicado na aceitação, pois o grande problema é o roubo
de cargas, afirma. "Mas, ao contrário de outras corretoras, que exigem
reciprocidade, como seguro do caminhão e das instalações do proprietário
da carga para aceitar o RCF-DC, nós só operamos transporte", acrescenta.
Segundo a corretora, cada caso é único e recebe a solução mais adequada.
A taxa pode ser agravada em função da alta sinistralidade do cliente,
ao passo que as mercadorias mais visadas são objeto de franquia. Sem
falar nas várias opções de gerenciamento de riscos.
"O seguro bem realizado e o segurado sério não temem franquias", dispara
Cássia, explicando que a D'Canela possui uma estrutura ágil de gerenciamento
de riscos e oferece como diferencial a averbação eletrônica: por meio
de um aparelho conectado no computador, o segurado informa diariamente
seus embarques diretamente à seguradora. O pacote de serviços da D'Canela
inclui seguro de vida e acidentes pessoais do motorista do caminhão.
Na
opinião do tarimbado Deoclécio, o grande defeito da carteira nacional
de transporte de carga é que "a maioria das companhias usa limites
técnicos baixos, transferindo ao IRB a maior parcela de responsabilidade.
Em consequência, o seguro é mal feito".
Já no transporte internacional ocorre o inverso, diz o especialista:
a carteira é boa, mas a tarifa é de 1973, com franquias altas, porque
naquela época havia muito roubo e pirataria no porto de Santos.
Assim, o risco final, o terrestre, é transferido para as transportadoras.
"Muitas vezes, o transportador rodoviário recebe a mercadoria já avariada,
uma vez que a vistoria oficial é onerosa e o despachante aduaneiro -
que vende serviços rápidos - deixa de registrar o sinistro ainda na
covertura principal. Por isso, para o transportador, que é pequeno e
tem obrigatoriamente de fazer seguro, o prêmio é alte", pondera Deoclécio.
Ao contrário d Artur Santos, que responsabiliza os motoristas, ele afirma
ser necessário haver um cadastro do gerente de vendas do fabricante
das mercadorias. "Já tivemos oportunidade de constatar a cumplicidade
maliciosa de funcionários da empresa destinatária da carga, que se negaram
a receber uma carreta de televisores às 8h30 da manhã, sob o argumento
de que era tarde e só no dia seguinte seria possível descarregar. Foi
o caso de um cliente da CCE, com um caminhão vindo de Manaus numa viagem
de cinco dias. Não deu outra: o motorista sofreu um assalto e a carga
sumiu."
Junho/2000 - Jornal dos Corretores de Seguros - SINCOR-SP