O Seguro de Transporte no Século XXI

A carteira de transportes - principalmente em sua modalidade rodoviária - vem sendo, nos últimos anos, alvo de muita polêmica. De um lado estão os embarcadores que tentam transferir para os transportadores os riscos e a obrigatoriedade da contratação do seguro. Do outro lado estão as transportadoras, que por sua vez, reclamam da seguradoras que não aceitam seus riscos.

Toda a discussão se dá na busca de alternativas para a redução dos roubos às cargas - em que se critica a ação da polícia, contratam-se empresas de segurança, buscam-se rotas alternativas, mas a tecnologia também caminha por estradas tortas, e a cada dia as quadrilhas estão mais sofisticadas e bem estruturadas.

Diante desse cenário, Deoclécio Fernades Menezes, consultor e corretor de seguros, Diretor da D'Canela Carga, apresentou a palestra o Seguro de Transportes no Século XXI, no dia 10 de março. Ele foi incisivo ao afirmar: "os verdadeiros culpados pelo roubo de carga estão dentro dos embarcadores, passando as informações para as quadrilhas".

E fez um alerta: "não podemos entrar no século XXI fazendo seguro de transporte com mentalidade do século XIX. Já é tempo de modernizarmos nossa carteira. Sou da opinião que existem corretores cujo o intuito e 'embolar o meio de campo' e fazer todos entenderem que essa carteira é um mau negócio e, na calada da noite, fazem o seguro que durante o dia desdenham". O palestrante afirmou ainda que, nesse processo, as seguradoras também têm uma parcela de culpa.

E ressaltou ainda a "sonegação da averbação, a quantidade de sinistros, o despreparo de corretores de seguros e de seguradores como parte do processo para os resultados catastróficos de carteira de seguro de transportes. Temos de mudar essa postura, encara essa carteira como um desafio. Posteriormente criarmos uma dinâmica que se cumpra a obrigatoriedade dos seguros na venda CIF, na importação, na exportação, para o embarcador (RR) e transportador (RCTR-C). São muitos os seguros que o mercado deixa de fazer".

Ele ressaltou ainda que, nos últimos 15 anos, não observou nenhuma alteração técnica na carteira de transporte. "Sem o trabalho do técnico de seguro, a carteira certamente não mudará e não terá evolução. Se nós não mudarmos a postura diante desse contexto, unirmos esforços entre embarcadores, transportadores, seguradores e corretores de seguros, o seguro de transporte não terá a evolução necessária para dar as garantias eficientes", concluiu.

Jan/Abril/99 - APTS Notícias